Nos últimos dias, a violência de colonos israelitas contra palestinianos na Cisjordânia ocupada atingiu novos patamares, com ataques brutais ocorrendo sob a proteção das forças israelitas. Estes incidentes fazem parte de um padrão mais amplo de expansão de colonatos e deslocamento forçado que se intensificou desde o início da guerra em Gaza.

📍 Ataque violento em Khillet al-Dabaa

Na passada sexta-feira, dezenas de colonos ilegais israelitas atacaram a aldeia de Khillet al-Dabaa, na área de Masafer Yatta, a sudeste de Hebron (al-Khalil). Os colonos, armados com paus e facas, agrediram os residentes locais, resultando em pelo menos 20 palestinianos feridos, incluindo idosos, crianças e um bebé de três meses. As lesões reportadas variaram de hematomas e fraturas a ferimentos por faca, com nove vítimas a necessitarem de hospitalização.

De acordo com ativistas locais, os colonos vandalizaram propriedades, destruindo tanques de água e painéis solares essenciais para o fornecimento de energia elétrica na comunidade. Testemunhas relataram que as forças israelitas estiveram presentes durante o ataque, mas não intervieram para proteger os residentes palestinianos.

🌳 Ofensiva ampla em Nablus e Ramallah

Quase simultaneamente, em Nablus, colonos atacaram um viveiro na aldeia de Yetma, arrancando árvores e causando danos significativos à propriedade. Fontes locais indicam que este ataque faz parte de uma ofensiva mais ampla contra Yetma e as aldeias circundantes.

Além disso, nas últimas semanas, colonos avançaram com a abertura de uma nova estrada de colonato que visa confiscar aproximadamente 500 dunums (50 hectares) de terras agrícolas palestinianas na aldeia de Deir Abu Mishaal, a noroeste de Ramallah. Este tipo de apropriação de terras não só priva os palestinianos dos seus meios de subsistência, como também fragmenta ainda mais o território palestiniano.

📈 Padrão de violência e expansão de colonatos

Estes incidentes não são isolados. De acordo com grupos de monitorização, apenas em agosto, colonos israelitas levaram a cabo 431 ataques contra palestinianos e suas propriedades na Cisjordânia, a maioria nos distritos de Ramallah, Nablus e Hebron. Estes ataques resultaram na morte de pelo menos dois palestinianos e em dezenas de feridos.

Documentou-se ainda que, desde outubro de 2023, foram estabelecidos 121 novos postos avançados de colonatos ilegais na Cisjordânia – um aumento dramático que representa 40% de todos os postos avançados construídos desde 1996. Esta expansão acelerada conta com a proteção do exército israelita e, por vezes, com a posterior legalização por parte do governo israelita.

🏘️ Contexto mais amplo: deslocamento forçado e aprovação de colonatos

A violência dos colonos ocorre num contexto de esforços sistemáticos para deslocar comunidades palestinianas inteiras. Khillet al-Dabaa, por exemplo, tem sido repetidamente alvo de colonos e forças israelitas que procuram remover os seus residentes. Em maio de 2025, autoridades israelitas demoliram 25 casas, estruturas agrícolas e poços de água na aldeia, alegando “construção não autorizada”.

Paralelamente, o governo israelita aprovou recentemente planos controversos para expandir colonatos existentes e construir novos ones. No final de agosto de 2025, um comité do ministério da defesa aprovou planos para 3.400 casas numa área estratégica entre Jerusalém Oriental e um colonato existente. Este projeto, congelado durante décadas devido à forte oposição internacional, é amplamente visto como um “prego no caixão” para a viabilidade de um futuro estado palestiniano contíguo, pois efetivamente dividiria a Cisjordânia em duas.

⚖️ Reações internacionais e ilegalidade

A comunidade internacional considera os colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada e Jerusalém Oriental ilegais ao abrigo do direito internacional, incluindo múltiplas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Uma resolução aprovada em 2016 afirma que a atividade de colonatos “não tem validade legal” e constitui uma “violação flagrante” do direito internacional. Num parecer consultivo de julho de 2024, o Tribunal Internacional de Justiça também declarou que a presença contínua de Israel no território palestiniano ocupado é ilegal e ordenou a evacuação de todos os colonatos.

Líderes mundiais condenaram veementemente a recente aprovação do projeto de expansão. Autoridades britânicas afirmaram que o plano “dividiria um estado palestiniano em dois, marcaria uma flagrante violação do direito internacional e prejudicaria criticamente a solução de dois estados”. O Secretário-Geral da ONU e o Rei da Jordânia também apelaram à anulação desta decisão.

💡 Conclusão: Um apelo à ação

Os ataques de colonos em Khillet al-Dabaa, Yetma e noutros locais são manifestações de uma política mais ampla de expansão de colonatos, deslocamento forçado e anexação de facto de terras palestinianas. Estes atos, muitas vezes cometidos com a conivência ou mesmo proteção direta das forças israelitas, aprofundam o sofrimento humano e erodem rapidamente a possibilidade de uma solução de dois estados.

Como alertaram ativistas locais, é urgente que organizações internacionais e grupos de direitos humanos ajam para travar esta violência e responsabilizar os perpetradores. A comunidade internacional não pode permanecer em silêncio perante a contínua erosão do direito internacional e dos direitos humanos fundamentais do povo palestiniano.

A esperança de um futuro pacífico e estável para israelitas e palestinianos depende da cessação imediata da expansão de colonatos, do fim da violência contra civis e do renovado compromisso com uma solução negociada que respeite o direito de ambos os povos à autodeterminação e à segurança.