O Sudão elevou um protesto formal às mais altas instâncias globais, acusando a comunidade internacional de passividade perante a escalada de violência contra civis perpetrada pelas Forças de Apoio Rápido (RSF). Num detalhado briefing entregue ao Gabinete do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o representante permanente do Sudão junto da ONU, Hassan Hamid, expôs a gravidade da situação.
De acordo com informações veiculadas pela comunicação social sudanesa, o diplomata afirmou que a milícia tem podido cometer crimes com total impunidade, um cenário que atribuiu diretamente à inação da comunidade internacional. Hamid salientou ainda a falha colectiva em abordar o papel dos Emirados Árabes Unidos (EAU) no financiamento de mercenários envolvidos no conflito.
Os relatos de atrocidades cometidas na região de El Fasher não são, segundo o representante, incidentes isolados. Pelo contrário, tratam-se de componentes de uma campanha coordenada e sistemática, orquestrada pela milícia, com o objetivo declarado de destruir comunidades e minar a soberania e estabilidade do Estado sudanês.
Os Emirados Árabes Unidos negaram repetidamente qualquer envolvimento no apoio às RSF no conflito em curso. Esta posição, no entanto, é contestada pelas autoridades sudanesas, que apontam para a necessidade de uma investigação e responsabilização internacionais eficazes. O apelo do Sudão é, assim, um clamor por ação concreta num cenário de crise humanitária e violência crescente.






