GABORONE, Botsuana – A imensa riqueza natural de África deve ser transformada em prosperidade duradoura para os seus povos, um objetivo que exige uma mudança fundamental na forma como o progresso é medido e uma estratégia continental unificada para a conservação. Esta foi a mensagem central transmitida pelo Presidente do Botsuana, Duma Gideon Boko, na cimeira inaugural Africa Biodiversity Summit.

Discursando em Gaborone, o Presidente Boko enfatizou que a rica biodiversidade do continente não é um luxo ou uma preocupação secundária, mas um componente vital da sua riqueza nacional. Defendeu uma definição mais abrangente de prosperidade que vá além das métricas económicas tradicionais.

“A prosperidade deve ser definida não apenas pelo PIB, mas por sistemas alimentares seguros, água limpa, comunidades resilientes e ecossistemas saudáveis”, declarou Boko, enquadrando a saúde ambiental como uma base não negociável para o desenvolvimento sustentável.

Como um exemplo tangencial para o continente, o Presidente Boko destacou o próprio modelo de conservação do Botsuana, onde uns significativos quarenta por cento do território nacional estão sob proteção formal. Esta abordagem, sugeriu, demonstra um compromisso com a preservação do capital natural que, em última análise, suporta a atividade económica e o bem-estar humano.

Emitindo um aviso severo, o Presidente observou que a perda contínua de biodiversidade ameaça diretamente a base do bem-estar comunitário em toda a África. Para contrariar isto, propôs a criação de um Fundo Africano para a Biodiversidade. Este mecanismo financeiro continental seria concebido para colmatar a crítica lacuna de financiamento da conservação, fornecendo recursos urgentemente necessários para proteger e gerir os ecossistemas únicos de África.

Concluindo o seu discurso com um apelo à ação, o Presidente Boko exortou os seus pares líderes a garantir que a cimeira seja um catalisador para uma mudança real. “Que esta cimeira seja mais do que palavras. Que marque um ponto de viragem”, declarou, desafiando as nações africanas a uma ação unificada para construir um futuro onde a saúde ecológica e o desenvolvimento económico não estejam em conflito, mas prosperem em conjunto.