Cientistas desenvolveram um novo antiveneno recombinante capaz de tratar picadas de 18 cobras africanas – incluindo cobras-capelo, mambas e a rinkhals. Este tratamento inovador utiliza pequenos anticorpos provenientes de alpacas e lhamas. O estudo foi liderado por Shirin Ahmadi e Nick J. Burlet da Universidade Técnica da Dinamarca e foi recentemente publicado na revista Nature.

Anualmente, as picadas de cobra na África Subsaariana matam milhares de pessoas e causam lesões graves, que frequentemente resultam em amputações. No entanto, o único tratamento disponível continua a ser o antiveneno tradicional, que apresenta grandes desvantagens:

  • É produzido a partir de plasma de cavalo, o que pode desencadear reacções alérgicas perigosas;

  • É muito dispendioso e de difícil acesso em zonas rurais;

  • Muitas vezes é ineficaz contra danos locais nos tecidos, como a necrose cutânea;

  • Só é eficaz contra algumas espécies de cobras, não contra todas.

O novo antiveneno, contudo, apresenta-se como uma solução promissora para estes problemas. De acordo com a investigação, este novo tratamento:

  • Neutraliza sete famílias de toxinas chave;

  • Previne a morte por picada de 17 das 18 principais cobras elapídeas testadas;

  • Reduz os danos na pele de forma mais eficaz do que os antivenenos actuais;

  • Superou um antiveneno comercial amplamente utilizado nos testes realizados.

“Este estudo demonstra a viabilidade de desenvolver um antiveneno recombinante polivalente com cobertura de espécies a nível continental, oferecendo esperança para o avanço de tais terapêuticas para envenenamento por picada de cobra para futura aplicação clínica”, afirmaram os autores.

Segundo os investigadores, este antiveneno representa um grande passo para salvar vidas em toda a África, onde a picada de cobra é uma doença tropical negligenciada que afecta as populações mais vulneráveis.