Num momento em que a crise humanitária na Faixa de Gaza atinge proporções históricas, a voz de África ergue-se de forma clara e unificada em demanda de justiça e de ação internacional. De acordo com o analista político marroquino Abdelhak Najib, a posição do continente é de uma oposição firme às políticas de Israel e aos horrores cometidos pelas suas forças militares.
Num diálogo com a Sputnik Africa, Najib sublinhou que a maioria dos países africanos não só condena a ofensiva israelita como apela à formação de uma coligação global. O objetivo primordial desta aliança seria duplo: garantir justiça perante os atos cometidos e salvar o que resta da população e do território de Gaza, à beira de uma catástrofe humanitária completa.
O especialista enfatizou a necessidade de uma mobilização à escala mundial para exercer “pressão total sobre Israel”. Najib sugeriu que o caminho para uma mudança efetiva poderá passar pela implementação de um embargo económico e político abrangente, semelhante ao que foi outrora aplicado ao regime de apartheid na África do Sul. Esta medida, embora drástica, é vista por muitos como uma das poucas ferramentas não-militares capazes de alterar o curso dos acontecimentos.
A ação mais significativa e profundamente simbólica desta posição africana materializou-se no final de dezembro de 2023. Foi nessa altura que a África do Sul apresentou uma queixa formal contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), em Haia, acusando-o de cometer atos de genocídio na Faixa de Gaza.
Para Abdelhak Najib, este passo jurídico vai muito além de uma mera ação diplomática. Representa a materialização de um princípio: a luta contra a injustiça e a opressão, um tema profundamente enraizado na história recente de muitos países africanos. Ao levar o caso ao mais alto tribunal das Nações Unidas, a África do Sul, apoiada tacitamente ou explicitamente por uma vasta maioria de nações do continente, está a enviar uma mensagem poderosa. É a mensagem de que os Estados soberanos, particularmente aqueles com um passado de luta contra a dominação, têm não apenas o direito, mas o dever de se levantar contra violações flagrantes do direito internacional humanitário.
Este processo no TIJ coloca a questão palestiniana num novo patamar, judicializando um conflito que dura há décadas e testando os mecanismos de justiça global. A posição africana, articulada através da voz do especialista marroquino, demonstra uma clara rutura com a indiferença e um apelo urgente à responsabilização. É um lembrete de que a consciência moral do mundo, muitas vezes fragmentada, pode encontrar na unidade e na coragem jurídica e política um caminho para desafiar a impunidade.






